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16 de novembro de 2011

Este ano é para esquecer...

...vai tudo de mal a pior!

Não me tem apetecido sequer escrever, mas às vezes sabem vir desabafar para o meu canto.

Este ano não está fácil, têm-nos acontecido coisas que não imaginavamos e quando parece que tudo está a começar a encarrilar...toma lá mais uma tacada e não te tornes a levantar!
Mas com a força que temos e que confesso não sei onde a vamos buscar lá nos vamos erguendo, devagarinho que é para queda seguinte não doer tanto.

O Tiago está constipadito, nem lhe chamaria constipação, porque só tem o nariz bastante congestionado e por sua vez muitas dificuldades em respirar de noite, portanto tirando as noites que nunca são boas e nunca durmo uma noite seguida, há pelo menos 9 anos, porque o Tiago não deixa...estas últimas três noites têm me deixado de rastos. Noites quase em branco para controlar a respiração do rapaz, fazer aerossois e tratar do narizito, para que possa dormir melhor.

Estou cansadissima, nem sei mesmo como me aguento e nem sei como vou trabalhar, devo ter algum anjo a zelar por mim para me poder aguentar para estar bem para os meus pikenos. Mas este anjo de vez em quando tira uma folga...

O Henrique é aquela máquina, sempre bem e meio traquinas, mas está a ficar um Homenzinho, ajuda e tem sido muito amigo do mano.

O Tiago vai ter de extrair provavelmente um dente, porque desenvolveu uma cárie enorme num molar, mais uma anestesia geral, porque o rapaz não colabora, ele nem se senta na cadeira de observação. Apenas se senta numa cadeira à parte e abre a boca para deixar ver, mexer nem pensar! Que raio de trauma desenvolveu este meu filho!! Já que vai estar anestesiado, serão feitos os selantes e veremos o que se pode fazer mais. Ainda não temos data certa para quando, mas já sei que vai saír bem do bolso...

A boa novidade é que este meu chinoquinha vai participar numa ação de culinária para meninos/jovens com Síndrome Down. A mãe do Princepezinho enviou-me um mail sobre o projeto "Down Cooking" que vem do Brasil e vai ser aplicado cá em Portugal, partilhei com o grupo Pais21. Rapidamente houve pessoas interessadas e estamos a tratar de tudo para desenvolver brevemente uma ação em Lisboa.
Acho que ele vai gostar. Depois contamos como correu a experiência!

Entretanto se quiserem entrem no link do projeto e do grupo para saberem mais informações e se puderem divulguem!

Obrigada por passarem por cá.

22 de fevereiro de 2011

Afinal...

...falei cedo demais!

O Tiago está "oficialmente" constipado! Esta noite teve febre e muitas dificuldades em respirar, devido à obstrução nasal e que é tão difícil descongestionar.

De manhã até estava com vómitos, devia de ser por causa da expectoração. como é possível de um momento para o outro ficar logo super "ranhoso"?!?! Agora tenho de controlar para ver se a ranhoca não passa a cor amarelada (sinal de infecção). Está a Brufen e Benuron (alternado) e queixa-se da garganta. Vamos ver quanto tempo isto vai durar!

O pior de tudo é parte respiratória, custa-me imenso vê-lo aflito, já para não falar das apneias que faz de noite devido à obstrução. Portanto vamos ter noites "quase" em branco nos próximos dias...Se já não dormia uma noite seguida, quando há estes episódios, é para esquecer.
Preciso tanto de uma noite inteirinha a dormir sem acordar...

Não sei se já tinha falado aqui, mas o Tiago não dorme uma noite seguida há pelo menos uns 8 anos, ou melhor, nestes 8 anos (tirando o 1º ano que dormiu sempre bem), contam-se pelos dedos as vezes que dormiu bem. Acorda sempre pelo menos uma vez e vem ter comigo ao quarto. Depois vou com ele para a cama dele, ele adormece e eu volto para a minha cama. às vezes acorda mais vezes. Quando está doente é pior ainda. Não tem um sono sossegado, mexe muitos as pernas e às vezes as mãos e depois sossega ao final da madrugada. Resultado de manhã para se levantar é um caso sério, inicialmente até prejudicava o rendimento escolar.
Chegámos a fazer consulta de pedopsiquiatria e andou medicado durante algum tempo com "Risperdal". Mas este medicamento é apenas para o acalmar não para ele dormir bem. De facto o adormecer era mais calmo, mas por volta da uma da manhã parece que liga um interruptor e lá começa ele a dar às pernas. O Tiago não tem problemas comportamentais, mas sim de sono. Eu só queria que ele dormisse uma noite seguida... 
O Otorrino já sugeriu o estudo do sono, pois ... e quem é que lhe vai ligar todos aqueles fios?? Nada feito temos de tentar arranjar outra solução. Verifiquei que no CADIN há uma consulta especifica de Perturbações do Sono, estou a pensar em ir lá, mas isto é um rol de consultas, ora é pediatra com um, ora é dentista com outro, depois é otorrino...não dá para ir a tudo ao mesmo tempo.

Mas é um assunto que não vai ficar para trás e que terá de ser visto e tratado de alguma forma, porque sinto que ele também anda cansado por não descansar o suficiente.

Se alguém tiver dicas ou sugestões...

20 de dezembro de 2010

Do Nascimento ao Diagnóstico - Parte II

Como O Tiago nasceu no Inverno, não facilitou nada e apesar de sairmos pouco, o menino começou a ficar muito obstruído e com dificuldades em respirar. Eu, mãe de 1ª viagem, com principio de depressão pós parto (sim toda aquela vontade de chorar sem razão aparente, já era um sinal disso), comece a ficar muito apreensiva e cada vez que ligava á sra. pediatra, ela mandava pôr muito soro. Ora bolas, isso não resolvia nada!

Um dia o Paulo chegou a casa e disse que tinha o contacto da pediatra dos filhos de um colega e que era muito boa. Decidi ligar e como se tratava de um bebé recém nascido marcaram consulta para o próprio dia.

Dia 21-12-2001 às 17h lá estávamos nós para a consulta que iria mudar o rumo da nossa vida. Quando a dra. passou na sala de espera para o consultório, eu estava a dar biberão ao Tiago, ela passou e olhou muito fixamente. Estava a ficar impaciente, pois acabámos por ser os últimos a ser atendidos (hoje percebo porquê).
Começou por pedir todas as informações sobre a gravidez, exames que foram feitos, nascimento, local, quem tinha sido a pediatra assistente e o porquê de estarmos ali. Disse que a principal razão era que o menino estava naquele estado, eu não sabia mais o que fazer e a tal pediatra assistente mandava pôr soro e não dizia que o queria ver.
Mandou despi-lo. Começou a observá-lo, virava-o, voltava a virar, auscultava-o, e novamente, via as palmas das mãos, os pés. Um silêncio brutal que me estava a pôr louca! Eu só pensava "se calhar o menino tem um problema de coração", mas o que é se passa, ela não diz nada!"

Mandou vesti-lo. O Paulo começa a arrumar a tralha toda e a médica diz: "O pai sente-se que ainda temos muito que conversar". Gelei e continuei a vestir o Tiago. O Paulo perguntou se havia algum problema com o bebé, ao que a médica respondeu que havia coisas menos boas, mas que tinham de ser ditas e queria que nós a ouvíssemos bem e estávamos à vontade para tirar todas as dúvidas.

Entretanto voltei a sentar-me com o Tiago ao colo e toda eu tremia, nunca me passou pela cabeça que podia ser a Trissomia 21, sempre pensei que fosse algo relacionado com o coração.
A médica começou por dizer que o nosso menino ia ser diferente dos outros bebés, fazer as coisas mais tarde e que teria algum atraso no seu desenvolvimento global. O Paulo interrompeu e perguntou: "O meu filho é mongolóide?" Pensei "Ele também já tinha notado e não comentou nada comigo". A médica disse que o termo correcto já não era esse, que era Trissomia 21 ou Síndrome Down. Mas que teria de ser feito o cariótipo para termos a certeza. Disse-nos que quando passou na sala de espera viu logo e deixou-nos para o fim para se poder preparar também para dar esta notícia.

Foi horrível! Desatei a chorar, as lágrimas caiam para cima do Tiago que me observava muito atento com aqueles olhinhos tão pequeninos. O Paulo ficou branco como a cal e deixou-se cair lá para cima de uns puffs. A médica saiu e deixou-nos a sós durante um tempo. Não falámos nem dissemos nada um ao outro. a médica voltou e começar a dizer que achava que o caso do Tiago, era um "bom caso", que ele não tinha muita hipotonia e que acreditava que com muito estímulo e muito acompanhamento ele iria ser capaz de muita coisa. O Paulo perguntou á médica qual a certeza dela em relação ao diagnóstico. A médica respondeu: "99,9%", mas que tinha de ser feito o cariótipo. Estava tudo dito!

Falou-nos das consultas de Desenvolvimento no Hospital Sta. Maria. Passou de imediato várias análises, entre as quais a do cariótipo. Alguns exames necessários para detectar cardiopatias, que são frequentes na T21, exames auditivos que foram feitos na Maternidade Alfredo da Costa pois ela dava consultas lá e consegui que fizéssemos o rastreio lá.
Eu só pensava: "Hipotonia, consultas de desenvolvimento, consultas disto e daquilo, intervenção precoce, cardiopatias, Trissomia 21, atraso global.....o que é isto?!?! Não percebo nada do que me estão dizer, só sei que tenho um filho deficiente e não sei o que fazer!!" A médica tentou orientar-nos da melhor forma possível e disse que ia ver se nos conseguia uma consulta em Sta Maria.

Nesse mesmo dia, liguei desesperada para o laboratório Dr. Joaquim Chaves, já não eram horas (quase nove da noite), mas o segurança ao ouvir o meu desesperoo, passou a chamada a uma geneticista que disse que ainda faria a recolha se chegássemos antes das nove. Assim foi, quando lá chegámos estava uma equipa de 3/4 pessoas à nossa espera, levaram o Tiago para a recolha de sangue, só chorava queria estar com ele. Começaram a bombardear-me com perguntas: "Mas não foi detectado na gravidez? Mas não fez amniocíntese?" Que raio mais às perguntas!!! Já nada disso importava!! Só me importava saber se o menino estava bem ou não!
Disseram que o resultado iria demorar e com as festas à porta, o mais certo seria só depois do Ano Novo.

Os dias seguintes foram muito angustiantes, chorávamos todas as noites a olhar para ele, comparávamos com fotografias do Paulo. Adormecíamos a pensar que tudo ia correr bem e que o exame ia ser negativo. Não contámos a ninguém, excepto ao meu pai que chegou no dia 23-12 para vir conhecer o neto. O Paulo não conseguiu disfarçar e acabou por lhe contar, até porque o meu pai ia ficar lá em casa e não dava para omitir. Mais ninguém soube antes do Natal, depois fomos contando a pouco e pouco a alguns familiares e amigos. Acho que as pessoas ainda sabiam menos que nós. Porque só nos diziam para termos calma, que não havia de ser nada de especial e que tudo se ia resolver. Resolver? Ter Calma? Nada de especial em ter um filho deficiente?! Todo o meu sonho desapareceu não era nada de especial?! O que seria do meu filho deficiente quando eu já não estivesse...eram as minhas preocupações (e continuam a ser). Começaram as nossas próprias perguntas: "Porquê eu?"; "Porquê o nosso filho?"

A tão esperada consulta em Sta. Maria nunca mais chegava, antes do final do ano voltei a falar com a pediatra, que dizia que ainda não tinha conseguido tratar da consulta. Comecei a sentir algum afastamento, tipo já te encaminhei agora vai á tua vida. E assim fiz, como em Sta Maria era necessário mil e uma coisas, decidimos ir ao Dr. Miguel Palha a nível particular. Entretanto já tinha contado a situação à minha amiga Cat que me indicou a L* terapeuta da fala na Liga dos Deficientes Motores na Ajuda. Através da L* conseguimos uma entrevista com a Dra. Mafalda, directora do programa da Intervenção precoce. Quer a consulta com o Dr. Miguel Palha, quer a entrevista na Liga só foi possível agendar para Janeiro 2002.

Na noite de Ano Novo tive a certeza que o Tiago era portador de Trissomia 21, o resultado do cariótipo chegou no dia 31-12-2001, Trissomia Livre em todas as células, quer isto dizer que todas as células do Tiago têm o cromossoma 21 triplicado. Cerca de 95% das trissomias são Trissomia Livre.

Já não chorei mais, já não tinha mais lágrimas para chorar. A depressão pós-parto passou-me num instante! Não tive qualquer acompanhamento psicológico, devia ter procurado ajuda, mas eu estava mais preocupada com o Tiago. O tempo estava a passar e ainda nada de intervenção precoce. Aliás eu sem intenção e sem ainda saber da situação, já fazia alguma estimulação em casa, de coisas que tinha lido em livros e revistas que comprei durante a gravidez.

Em Janeiro lá tivemos a consulta com o Dr. Miguel Palha, se já estava desorientada ainda mais fiquei. Novamente todo o historial, depois pega no Tiago como se fosse um coelho pelos pés e faz umas coisas muito estranhas e começa a dizer "Estamos muito atrasados! Tem pouca hipotonia, mas tem de ser trabalhado de imediato, vou dar-vos o contacto de uma técnica, liguem para ela e marquem as sessões com ela". Disse também para não termos muita esperança, pois estes miúdos não vão muito longe na escola e é só até aos 16 anos. "Aos 16 anos monta-se uma barraquinha para ele vender jornais e pronto". Fiquei destroçada! Nem queria acreditar no que estava a ouvir. Hoje vejo este cenário como muito positivo, pois se o Tiago tiver capacidade para estar numa banca de jornais, é porque fizemos um bom trabalho. É porque saberá ler minimamente e lidar com dinheiro e fazer trocos. Mas na altura, confesso que foi horrível ouvir estas coisas. O que se diz hoje em dia que o Dr. diz aos novos pais que são as 3 regras: "Amar, Amar, Amar", isso a nós não aconteceu...
Saí da consulta com um cartão na mão com um contacto qualquer e ainda mais desorientada do que cheguei. Já tinha sido informada que o Dr. era um bocado "bruto", pensei "Bruto é favor!"

A nossa dúvida era ficarmos ali no Centro Cadin (ainda não era o Diferenças) ou se íamos á entrevista na Liga. A entrevista foi dois dias depois.

Fomos recebidos pela directora a Dra. Mafalda e pela assistente social. Foram impecáveis. Novamente o historial todo e de seguida a assistente social deu-nos todas as orientações que precisávamos, desde os subsídios que tínhamos direito, como pedir, o que fazer. Todas as nossas dúvidas forma devidamente esclarecidas. Adorei a equipa, as instalações, tudo! Segui-se uma consulta de Fisiatria de modo a que o Tiago fosse avaliado e fossem recomendadas as terapias necessárias.

Não foi só o apoio para o Tiago, nós pais também fomos apoiados, isso faz toda a diferença quando os pais recebem uma noticia destas e estão completamente desorientados, como era o nosso caso.

Fica aqui a partilha, espero que não achem demasiado maçudo, mas de alguma forma queria contar isto já há mais tempo, mas sempre que me lembro de tudo, fico muito emocionada e nunca consigo escrever nada. Desta vez consegui conter as lágrimas e partilhar o que me vai na alma!


Bem haja a quem nos visita!

Do Nascimento ao Diagnóstico - Parte I

Como já referi aqui algumas vezes, nós só soubemos da Trissomia do Tiago quase 1 mês depois dele ter nascido. Quero partilhar com quem nos visita um pouco sobre o que se passou na altura. O que vivemos não foi nada fácil de digerir. Aceitámos com muita naturalidade, pois já o amavámos muito. Mas não foi fácil e julgávamos que não era verdade, são daquelas "coisas" que achamos que só acontecem aos outros, até que um dia bate à nossa porta.


O Tiago teve de nascer por cesariana, pelo facto de se encontrar na posição de sentado (durante quase toda a gravidez). Na última ecografia às 38 semanas e visto que o rapaz continuava sentado, o médico não quis arriscar um parto de pés e ficou agendada a cesariana para a semana seguinte, dia 28 de Novembro 2001 (1 dia antes de fazer as 39 semanas).

Na véspera estava a tratar dos últimos preparativos e ver se nada faltava, o meu coração saltitava de ansiedade, nervos, sei lá, era uma sensação estranha, mas estava "desertinha" por ter o meu bebé nos meus braços. Estava cansada, pesada, com dor ciática, mãos sempre dormentes e ainda por cima super constipada e não podia tomar nada. Ainda tirei umas fotos para recordar o barrigão antes do bebé nascer :-)

Dia 28-11 às 08h da manhã já estava a dar entrada na Clínica S. Gabriel (em Lisboa). Foi-me indicado o quarto onde iria ficar e lá comecei por me instalar. A minha amiga e madrinha foi lá ter comigo, o Paulo estava uma pilha de nervos e então andou a dar voltas. Fui ligada ao CTG para monitorizar o estado do bebé. Eu e a A* andávamos na palheta e na risada total, o CTG disparava, a enfermeira quando entrou e viu o relatório do CTG até se assustou, depois lá lhe disse que me tinha estado a rir. A enfermeira mandou acalmar-me. Depois levaram-me para "tratarem de mim".

O tempo parecia que nunca mais passava, tinha ficado marcado para as 10h da manhã, mas deve ter havido alguma urgência e não foi possível fazer o parto a essa hora. Fui para a sala de partos onde me deram a epidural, toda a eu tremia de nervos e ia me dando o "treco" depois de levar a epidural. Lá me deitaram na maca e veio o meu médico acompanhado de outro médico e a anestesista. A minha amiga A* assistiu ao parto, o Paulo não quis assistir, é muito "delicodoce" para estas coisas...

A A* ia falando comigo e o médico ainda pôs música de fundo (que não me lembro qual era), não me apetecia estar a ouvir música, não me apetecia ouvir a A*, só queria que aquilo acabasse rapidamente. Tinha uma sensação estranha...
A anestesista perguntou se eu queria ver o meu bebé nascer, disse que sim e ela baixou o pano e levantou-me um pouco as costas de modo a que eu pudesse ver. Às 14h em ponto nasceu o Tiago!

Todo enrolado cabia numa só mão do médico, de repente o médico diz:"Olhem para isto que grande nó que ele tem! Venham depressa para o aquecer!" A A* saltou para o pé do médico que a mandou embora de imediato. Ao ver aquele cenário, fiquei atordoada. O que é se passava? O bebé não chora? O que é que aconteceu?
Só me lembro de ouvir uma chuveirada e o choro do meu filhote. Se calhar já tinha chorado antes, mas não me lembro.
A pediatra veio com ele todo embrulhadinho, só lhe via a cabeça e uns olhinhos muito negros, para eu lhe dar um beijinho. Hmmm que pele aveludada....mas pensei para comigo "parece um Alien com os olhos tão negros e rasgados". Hoje penso que tive o pensamento mais estúpido, mas foi o que me veio à cabeça.
O Tiago tinha pouco peso, porque o tal nó não tinha deixado que ele engordasse que ao mesmo tempo foi a salvação dele, pois ele estava todo enrolado no cordão umbilical e caso tivesse engordado, provávelmente teria asfixiado.

Estive 5 dias na clínica, nunca disseram nada em relação à Trissomia, eu não desconfiava, nunca ninguém nos chamou à atenção para nada. O meu médico dizia que estava tudo bem e a pediatra, tb dizia que estava tudo bem. Ele não conseguia agarrar o peito para mamar (hoje sei que eram as dificuldades de sucção devido á hipotonia), acabei por ter de secar o peito e ele ficou a biberão.

Fomos para casa e eu comecei a sentir-me triste, e só tinha vontade de chorar, aliás chorava cada vez que o Paulo chegava a casa. Dizia que tinha medo de não saber cuidar do bebé. O Tiago nem dava trabalho nenhum, dormia lindamente e ao fim de 4/5 horas sem acordar para comer tinha de o acordar. Aliás ele mamava o biberão a dormir.
A 1ª consulta com a pediatra que assistiu ao nascimento foi uma semana após o nascimento. Nessa consulta a médica fez os exames normais e tudo apontava para que estivesse bem. O Tiago não usava chucha, nunca usou, não conseguia segurar nela e como mamava na língua, a chucha acabava por saltar boca fora. Parecia a Magie dos Simpsons, ainda achava imensa piada a isto. A pediatra perguntou se ele estava sempre a mamar na língua, respondi que nem sempre, o que era verdade. Ela escreveu "Macroglossia" no livro, mais nada. Perguntei porquê e a resposta foi: "Se para o mês que vem continuar a fazer isso, depois fazemso exames, mas não se preocupe, está tudo bem"

Depois de saber o diagnóstico, tive muita vontade de lhe dizer, que afinal não estava tudo bem e que a sra. dra. omitiu uma informação/diagnóstico. Sim, hoje acredito que ela sabia, mas não disse nada!

Fui para casa tentar dedifrar o que a sra. tinha escrito no livro, não percebia a letra nem o que queria dizer. Infelizmente na altura não tinha internet em casa o que não me permitiu ir à descoberta.

Com quinze dias fomos ao fotógrafo tirar fotos ao menino para oferecer aos familiares no Natal. Tinhamos tido despesa extra com os gastos da clínica e tudo mais, de maneira que uma boa sabíamos que ia ser bem recebida. Lá foi ele minúsculo mas com ar vivaço tirar as fotos. Quando fui buscar as fotos, senti um arrepio no corp todo, a sra da loja estavava a cortar as provas e uma das fotos estava de pernas para o ar. O perfil do Tiago era de um menino com Trissomia 21. Pensei "parece mesmo um mongolóide" , a sra. da loja trocou olhares comigo e pensei "Será que ela tb acha?". Vim para casa, mas não comentei nada com o Paulo.
A partir daí tentava perceber nas suas expressões algo de similar, mas eu achava-o parecido com o pai...

13 de janeiro de 2010

Disfunção Neurológica??

Estou em baixo, muito em baixo...

Ontem foi a reunião de avaliação do Tiago, eu não pude estar presente, foi só o pai. Quando cheguei no final do dia a casa e ele me contou as peripécias da reunião, não aguentei... desatei numa choradeira e só penso que se vale a pena todo este esforço...

A avaliação do Tiago foi bastante positiva, foi feita nos moldes do currículo adaptado a ele e os parâmetros avaliados (estes parâmetros forma diferentes da restante turma) foram bastante satisfatórios. Também teve boa avaliação, na música aqui a maior dificuldade foi na expressão vocal, a ginástica também com boa avaliação e até o Inglês foi bastante positivo.

O meu menino é CAPAZ! O que infelizmente o penaliza bastante é a linguagem... continua com imensas dificuldades, apesar de ter havido alguma evolução, mas continua a ser a área mais fraca do Tiago. Isto já eu sabia, é esta a nossa luta e não sei o que fazer mais...

Na reunião estavam presentes as técnicas que trabalham/acompanham o Tiago e a professora da sala de aula . Então conta o meu marido que a terapeuta da fala, que acompanha o Tiago há cerca de 6 anos(!!) começou a falar sobre o Tiago mas sempre numa acção de defensiva e com grandes termos técnicos (que para nós é tudo chinês), mas sempre a dar a entender que o problema dele não falar não é dela, mas sim do menino. Ao fim de muita conversa técnica, a dita senhora chega à conclusão, ao fim de 6 anos, que o menino deve ter uma disfunção neurológica e que ele não vai falar!
Isto não é normal!!!

Durante 6 anos andei a perder tempo e dinheiro, durante 6 anos fui enganada (é assim que me sinto), avaliações boas sempre com indicação de que a parte da compreensão estava muito bem e que qualquer dia daria o "clic". Eu ainda cheguei a perguntar diversas vezes se não poderia estar associada alguma questão neurológica ao problema da fala e se havia possibilidade de fazer alguns exames para tentar perceber esta situação, foi-me dito que não, que era mesmo dele...

Foi dito ainda que o menino só percebe 10% do que lhe é dito... Mas o que é isto?!?!

Eu acredito que ele não compreenda tudo o que nós dizemos, ou pelo menos numa frase de 8 palavras, algumas lhe passem ao lado e que ele perceba só 4 ou 5 e daí faz o juízo dele, mas dizer que ele não vai falar...

Uma das problemáticas da Trissomia 21 é a aquisição da linguagem, isto já eu sei e tenho consciência disso, também sei que ele nunca vai ter um discurso como uma pessoa normal, mas sei que ele verbaliza. Ele constrói frases à maneira dele, com as capacidades e vocabulário que tem. Hoje ele diz uma coisa, amanhã pode já não dizê-la, portanto de facto tem de haver alguma explicação...

A dita senhora ainda diz que não vale a pena andarmos a reforçar as palavras se ele não as entende... como por ex: "eu vou" se ele não sabe o "eu" e o "vou" não adianta estar a reforçar para que ele diga bem. Já não percebo nada disto...

Bem sei que a sra. é a entendida na matéria, pois eu sou uma leiga, mas se ele não tivesse memória repetitiva ele não aprenderia, certo??

Findo este "espectáculo", a sra. informa todos os presentes na sala, de que vai deixar de dar apoio ao Tiago, porque enfim vai deixar de ter disponibilidade... mais uma atitude fantástica, pois esta informação deveria ter sido prestada apenas aos pais em fórum particular.

Acabado o relato da história toda, desatei numa choradeira, estou de rastos e sem saber o que fazer. Sei que preciso ter calma e confiança de que tudo irá correr bem. O meu marido diz que "há males que vêm por bem".

Peço desculpa a quem nos visita, por este post ser menos positivo, mas este blog é para isso mesmo "De tudo um pouco" e isso engloba também alguns desabafos menos bons.

Amanhã já estarei melhor e sei que tudo se irá resolver e se ele não vier a falar, ou se ficar a falar apenas aquilo que hoje em dia fala, pois que seja!

AMO-O acima de tudo e é isso que importa!